“A FLIT permite que as pessoas se aproximem dos livros”, diz Aleilton Fonseca
Publicada em por Núbia Daiana Mota em Geral
No lugar de uma mesa redonda, quem passou pelo Café Literário nesta segunda, 1º, presenciou uma palestra descontraída do poeta e ensaísta baiano Aleilton Fonseca, que fez um panorama sobre a literatura contemporânea e discorreu sobre o atual sistema literário no país.
Durante uma hora, Aleilton falou sobre a necessidade de uma nova postura a ser adotada por autores e academias de letras. “A literatura contemporânea está com tudo! O que falta são os escritores tomarem uma atitude e divulgarem seu trabalho. O escritor precisa estar onde o leitor está. Tem que procurar as editoras e ir à luta, porque não é nenhuma vergonha mostrar suas obras", afirmou.
"E as academias precisam ser casas de cultura, abertas para o povo. Um lugar de transformação para novos autores e também para os já consagrados. É uma forma de incentivar os escritores mais jovens”, disse.
Aleilton enalteceu a FLIT e disse que eventos como este contribuem para a formação de novos leitores. “A FLIT permite que as pessoas se aproximem dos livros e isso é ótimo. Eu fiquei muito feliz em ter sido convidado para estar aqui. Precisam ter mais feiras do livro no Brasil, alguém tem que tomar a iniciativa. Houve um tempo em que aqui não havia esse evento, mas alguém teve a coragem de começar e hoje milhares de pessoas estão mais próximas da literatura graças a isso”, ratificou.
Segundo ele, o preço dos livros no Brasil é ainda algo que torna o acesso à literatura distante da realidade de muitos brasileiros. “Aqui no Brasil, os autores vendem dois ou três mil exemplares e estão fazendo sucesso! Em Portugal os livros não têm esse apelo visual como aqui, mas os escritores vendem 20, 30 mil livros”, conta.
Ao finalizar a palestra o escritor lembrou que grandes leitores e escritores não estão apenas nos grandes centros. “Às vezes, depois de um dia de trabalho na roça, o homem do campo vai ler ou escrever seus próprios poemas. Muitos dos nossos grandes escritores nasceram no interior, Jorge Amado foi um que nasceu numa fazenda próxima a um vilarejo de nome Ferrada. A literatura tem que estar ao alcance de todos”, disse Aleilton, arrancando aplausos do público presente.