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A diversidade sob a ótica da psicanálise: conversa fora do consultório na FLIT

Publicada em por Shelsea Shasmylla em Geral

“Só sei que nada sei”. Uma das frases do filósofo grego Sócrates, que é praticamente um dito popular, resume bem a tônica da conversa agradável do escritor Contardo Calligaris neste sábado, 30, no auditório Juarez Moreira Filho.

O psicanalista Calligaris falou sobre as diferenças do ser humano e as dificuldades em aceitá-las, na mesa “A Diversidade na Casa da Gente”. O tema é permeado principalmente da história do livro que ele acaba de lançar, “A mulher de vermelho e branco”, que traz a narrativa de uma jovem brasileira que mora nos Estados Unidos, se casa com um engenheiro marroquino e os dois encontram várias barreiras culturais, principalmente na educação dos filhos. A história é só um exemplo do que acontece com todos os seres humanos, só que em áreas diferentes da vida.

Durante o bate-papo, Calligaris falou sobre as dificuldades em aceitar o que o outro tem de diferente de nós e até mesmo sobre a intolerância com as nossas próprias diferenças e exemplificou: “Diferentemente do que a gente pensa, as pessoas consultam um psicanalista porque elas querem continuar sendo iguais, porque algo de diferente está ameaçando aquilo que ela era acostumada a ser”, disse.

As explanações do escritor fizeram conceitos mudarem. “Esta descoberta sobre o motivo que faz as pessoas irem ao psicanalista me revelou um mundo. Eu sempre achei que fosse o contrário e o palestrante me convenceu de que não é assim”, disse a universitária Clair Cardoso.

Outras descobertas sobre o amor e a fidelidade, aquilo que acreditamos ter como princípio de vida, também foram colocadas por Calligaris. Segundo ele, “como você pode garantir que vai ser fiel a si mesmo, se na verdade somos fieis é com relação à expectativa dos outros sobre a gente?”, questionou.

Depois de fazer refletir e reavaliar ideias do bom público que compareceu ao auditório para a última palestra deste sábado, Calligaris abriu o espaço para pequenas “análises” fora do consultório. E a noite terminou bastante produtiva, com questionamentos dos participantes sobre a relação do ser humano com o outro. Uma relação cheia de diferenças que precisa ser aprendida diariamente. Afinal, como disse o palestrante, “tudo se pode fazer, menos querer mudar o outro”, porque certamente não se irá conseguir.